caneta, papel e blog
______________________________________________________
Mais do que um merda, um pescador
que todos fossem como são
enquanto falo
que o que é bom
é o conforto de ser um puto
que curte um som
Eu tenho sonhos
em que jogamos fora
todas as moedas
(do mundo e do tchello)
no chão
Eu me proponho
A ser um merda
O que tem isso de subversão?
Deitar à sombra da árvore
juro, não é agressão
Eu me confronto
entre ser um nada
e entrar pra televisão
Na dúvida me deparo
com o mais divertido do mundo
Que é pescar e assar um cação
O quinto significado de latidude
de maneira estranha
Sem lenço nem medida
procurando uma saída
se encontrar
mar e chuva e neblina
que horas são? na minha vida
Qual o tempo certo
de(o) momento existir?
Qual a tua longevidade?
E a razão da tua pergunta coibir?
E qual a tua idade?
Qual a tua terra-Planeta?
E os teus sonhos-Estrela?
Noite melindrosa
É bonita de se ver
É bonita de se ver
FEDOR
porque tudo acelera n'alma
Uma coisa verde e desforme há ainda de Bum! peito a dentro
porozinhos de nada, atentos
pele que arepia ou não
joelhos que misturam-se então
e na janela um cheiro apodrecido de dor
embrulho no estômago
olhos vários sem brilho
e um gozo forçado, urgente
vidrinhos pendurados
quase todos
quadrados
e o fedor
_________________________________________________________
Bom dia!
_________________________________________________
VIDA
Te amo por te entender livre e menos nosso
Te amo por te saber capaz de amar outras flores fora do pequeno jardim de nós dois
Te amo muito mais, agora que não te quero
Te amo muito, agora que não te quero mais
Te quero muito mais agora que não te quero meu
Te quero muito menos e por isso te amo tanto mais
E essa estranha sensação de amor e liberdade faz meu ventre vibrar de uma maneira diferente. Vida.
FELICIDADE
amorzade
Nem tão longe e nem tão perto.
Ursulão, mulher de áries!
Fogo de abril!
Flôr de cor vermelho - quente
Respondendo às suas questões: Eu tô por aqui, eu tô por aqui. Eu tô bem, eu tô bem, bem, bem.
Você mandou duas mensagens, perguntas que se repetiam, reafirmavam-se. Duplas perguntas de dois. Exagero do carneiro, insistente que só ele.
Como uma boa e fiel ariana respondo muito e várias vezes: Eu tô bem, Eu tô bem. Sinto saudades de você. Sinto saudades de você, de você, de você, de você, Ursulão, mulé tesão
Amigo querido
Sinto saudades da sua voz cantando pra mim... cena difícil.
Triste melancolia
Difícil desapego
Sonhei com ela hoje, a peça, ela que era mulher, que morreu.
'Lita, enche a garrafa pra mim?'
'merda, gata, arrasa!'
Saudade da sua voz
Acho que a Yerma morria junto do João e do Lorca e do ígnea.
Essas coisas de fogo sempre se apagam, entusiasmo.
Eu quero ser água, nascer de novo, água, carne fria, morta.
Fica com Deus, Lita, meu nome.
Amiga mais fenix e brabona que eu tenho! ra-cio-na-li-ga-do-na!
Mulher que quebra o coco, o joelho... continua correndo.
Chega de colecionar bu-ra-co, porra! (Bate na madeira, cara de pau!!rs)
Saudade de tu, da parceria de vida, de trabalho. Que nada! tamu aííí´!!
Como que eu fico puta se tu te preocupa comigo, se eu me preocupo sempre contigo? (A-mi-za-de)
Fica bem que saco cheio pára em pé (vou pensar nisso. pro-me-to)
bj, carne lita quente
Obsessãããããooooooooo
Camille claudel (pura obsessão!!!!!!!!!!)
Vi de novo. Acabei de ver. Quero morrer, quero me rasgar inteira.
Salve Mona lazar. Amo-te e odeio-te
Material:
Nelson Rodrigues (conto Flor de obsessão)
Ovídio ( a arte de amar)
Camille claudel e sua louca paixão por August Rodim
"Durmo nua todas as noites na ilusão de que está a meu lado, mas quando acordo já não é mais a mesma coisa"
Quando você mandou aquela msg corri e me debrucei.
Mas a lua não aparece mais na minha janela àlguns dias
Então eu desci. Correndo. pelas escadas.
Olhei a lua e inevitavelmente fui abduzida por ela.
Será que ela voltou?
A grana não ficou
A lapa me chamou
A lua me roubou
Por que ela não ligou?
O joelho pifou?
O ônibus quebou?
Ela se apaixonou? nãããõooo rsrsrs
Te amo. A ti e aquele abraço de ontem
Menino de out doorS
Menino branco, du bem!
Quando penso em você sinto cheiro de bife de fígado!(isso é mentira)
Você é o lixo mais incomum da minha vida!
Tava lindo ontem de terno e com aquele mulerão do lado!
Você é o dono dos olhos caídos ou eles é que são seus donos?
E os seus cabelos? Eles têm vida própria?
Gosto de ti, querido, pela sua leveza.
Você é o dono da simplicidade e nem sabe.
Toca nela e faz um mundo!
Beijo carinhoso de quem divide palco, daí pra alma é um passo.
"Quando Nietzsche chorou", quando derramou todas as suas lágrimas aqui no meu apartamento...
Que momento! Só faz chover por aqui. Só agora engrenei na leitura, e que presente de empréstimo! Obrigado!
Uma deliciosidade de mistura! Psicanalise e filosofia. Digno de embriaguês.
Sinto frio nas palavras, tremo. Mas nada de agasalhos, faz calor aqui no Rio.
Vem me visitar e sinta de quebra!
Sim, é um convite. Saudade da amiga querida.
saudade do crepe tamanho família, da praia, da fumaça, da cachaça, do xote, do papo reto, da lapa, do que era e não haverá mais de ser, nostalgia e fim de papo.
você não é mais aquilo, e eu como mudei, quantas pauladas.
Era uma vez uma menina que tinha uma valeriana, quando a planta morreu, a menina tomou toda sua alma e virou flor
Amiga querida
Parceira de pelos e longos cabelos
Encontro poesia na sua casa.
Um amor na janela e a lua, uma gata enfaixada que mia na cama, uma dose ou duas de embriaguês.
Felizes encontros!
Você é um presente que Dionísio me deu.
Um brinde ao teatro!
Saravá!
Ontem, pós aquele encontro que chovia e eu levava o sol pra me aquecer,
me ocorreu o quanto vc é querido. Li os monólogos que vc escreveu para Dri. O que mais me toca é saber que você escreve sem muito esforço, sem maiores exacerbações. Essa simplicidade me faz curiosa de ti!
Era na próxima que eu devia entrar. Só depois eu entendi pq peguei aquela.
Bruno Gabriel, eu passei só pra dizer que desiti de você!
Eu não te amo mais.
Tá tudo acabado entre nós.
O ursinho de pelúcia que você me deu criou asas e voou pela janela do setimo andar!
Favor jogar fora as cuequinhas que bordei meu nome.
Ah! Você sempre quis saber se era corno... sim, eu te traí com o Gê(raldão).
Por favor não me procura mais.
E aquela sua foto... encruzilhada na certa!
_________________________________________________________
pensamentos que se vão como fu-maçã deixando de existir
processo
pensamento
caracterírticas do voar
e ser
fé
só
pensamento de vida de lar
salvo de si
em busca de mim
por ti
assim por pensar e ser
diante de ti assim como pensamento de lar
em frente
parado
amém
Razoável
eco
balança
_________________________________________________
Rio, novembro de 2009
Quanta falta você faz, baby! E o Cristóvão? E vocês? Ainda me lembro a impressão estranha que tive dele quando a primeira pergunta que ele me fez era se eu costumava..., bem aquela coisa que você sabe. Eu juro que rezei uma ave maria inteirinha depois de responder que sim, sim, sim, aí então ele ficou mais aliviado. Olhar maduro ele tem, né baby, visão além do alcance, já volta quando ainda nem acordamos quanto menos quando pensamos em ir. Você merece puxar essa corda pra você.
Beijo!
Atrasada, mais uma vez
Escrever
POESIA
passarinho
Não cessa tua alma
Arregala teus olhos na vida
Busca beleza no amar
Encontra força nas águas
Não pára, coração
Perca tua verdade não
Segue,
errante que seja
Toca aquela música eterna
Não desbota, coração
Bebe desse mar.
Escorre
Canta aquela última nota
Mas não pára, coração
Vive e reproduz canção
Não pára, coração
Anjos te precisam flechar
Faça-os vivos, coração
Não pára
Vive enquanto passarinho for
Vive e voa em descompasso
Não pára, coração
Seja assim explosão
Arrebenta amarras desse peito
Encharca, coração
Embrenha noite a fora
Em busca de sinal
Voa coração
Seja eterno no começo
Seja eterno no final
então espero
Desnudo essas mãos
pretas e lilás
enquanto me desnudo
e me revelo
me arrisco, me arisco
me há risco
em abismo e colchão
enquanto me vario
desvario
desanuvio sua visão
profunda exposição
anatomia da alma
quente ou escuro de mim
em segredo
ai maldita dor de inspiração
subversão
rima idiota
cérebro enraizado
desamarra suas amarras
e me toma sem calcinha
corrimento de alma
escorrimento
amarelo impuro
felizes são aqueles
que podem escorrer
rio a fora
pode ser que pare
então espero
maldita dor
também que há de ser
Mas quando fecho os olhos, não te reconheço em espírito nem em vaga lembraça, não me lembro de mim ... É coisa nova, quiçá? Não sei dizer ainda, mas quando essa carne pensa na tua, quando meus sonhos procuram os teus, quando meu olfato lembra e se embreaga do teu caminhar, aí eu já não sei mais o que é certo e desisto de comer só alface.
Mas quando fecho os olhos, quando minha adrenalina te reconhece a matéria, aí eu já não sei mais o que é certo e desisto.
Mas quando eu fecho os olhos e minha boca tem sede da tua e se misturam dor carnal ao pedido de paz mundial, por um coletivo, pelo nosso transformar... aí eu já não sei e desisto.
Qual o objetivo do encontro de artistas senão pela transformação do mal em menos mal? Então qual o objetivo desse caminhar? Alimento do corpo? Ai, eu já não quero mais pensar...
Não há mais saída. Se não há evolução não há alma. Morre-me, morre-nos aquele meu desejo de largar tudo pra pegar. Largar tudo e mais um pouco por um quintal com córrego, uma horta e um movimento artístico. Longe! e perto da natureza.
Vamos fugir desse lugar, baby, tô cansado de esperar que você me careggae pr'onde eu possa plantar, meus amigos, meus discos e livros e nada mais, ouvindo mar de Itapoã, falar de amor... Quando eu te mostrar o céu que eu vi e pude acreditar no azul redondo da Terra, vais entender e acreditar também que há de ser, e será felicidade.
9 horas e meia
suposta limpeza ou pera passageira
solidão
Maria da lobas, das Anas Paulas
Chegara aos 40. Chegara ao início da segunda parte da linha reta.
A PALAVRA É RECONSTRUÇÃO




Está na hora do BRASIL embalar no Campeonato Brasileiro. Chegou o momento dOS BRASILEIROS voltarEM a ser o referencial NA LUTA PELOS SEUS DIREITOS. Para isso acontecer, é preciso que VOCÊ esteja presente e faça parte dessa caminhada. Juntos, somos mais fortes e podemos levar o nosso PAÍS ao lugar onde ele merece estar.
Já se passaram 3 DÉCADAS desde a última conquista POR UM IDEAL QUE REALMENTE ATENDESSE UMA NECESSIDADE DO POVO, SEM MANIPULAÇÃO DE MÍDIA . Todo o ano nós depositamos a confiança no BRASIL, mas, infelizmente, não conseguimos alcançar o nosso objetivo. Porém, somos UMA DAS MaiorES e MAIS RICAS CULTURAS DO MUNDO e sabemos que podemos fazer a diferença. Juntos, podemos gritar numa só voz para que o nosso PAÍS saiba que há uma nação acreditando em cada um que veste UMA CAMISA VERDE E AMARELA. Todos nós somos responsáveis por ajudar o BRASIL a se reerguer NA LUTA ANTI - CULTURA - DE - CORRUPÇÃO, mas para isso, precisamos nos fortalecer para representar bem as cores dA NOSSA REVOLUÇÃO.
Por issO QUE NÓS, CIDADÃOS CONSCIENTES, ARTISTAS, PENSADORES OU INDIGNADOS, estAMOS voltando com tudo e precisaMOS que você faça parte desta guinada. Somos o ponto de referência para todos os BRASILEIROS, sejam simpatizantes ou turistas que querem sentir a energia de ACREDITAR NO BRASIL. Todos sabem da magia que a nossa torcida tem e como somos fundamentais para representar cada BRASILEIRO junto ao clube. Somos a voz de cada integrante e estamos aqui para incentivar, cobrar e fazer tudo pelo melhor do PAÍS.
Mas, para mantermos a nossa festa/REVOLUÇÃO, inovarmos em nossas comemorações e representarmos O nossO PAÍS pelos quatro cantos do MUNDO, precisamos que todos vocês contribuam para que o nosso espetáculo seja cada vez melhor. Temos que ter a consciência de que cada um de nós é uma peça importante nesta engrenagem e, que unidos, conseguiremos fazer muito mais.
Para isso, você precisa COBRAR e estar em dia com O QUE ACONTECE DE ERRADO POR AÍ. Cada integrante deve fazer a sua parte e cobrar da nossa diretoria o verdadeiro papel dE UM POLÍTICO. Você, BRASILEIRO, precisa compreender que a nossa torcida está acima de qualquer ORGANIZAÇÃO DE GOVERNO OU DE UM SISTEMA PRÉ ESTABELECIDO e, por isso, precisa manter a sua DIGNIidade em dia para que tenhamos novos RUMOS que Elevem o nome dO PAÍS. A sua parte, somada a dos demais, ajuda na manutenção DE CORRUPTOS NA CADEIA, NA MELHORIA DO ENSINO PÚBLICO, NA VALORIZAÇÃO DA MULHER NO MERCADO DE TRABALHO, NA LUTA POR UMA MÍDIA MENOS TENDENCIOSA, NA bandeira POR UMA CULTURA MAIS AMOR E MENOS DINHEIRO, NA LUTA CONTRA O 'TIRAR VANTAGEM', NA BATALHA POR UMA COBRANÇA DE IMPOSTOS E TAXAS DE TELEFONIA MAIS HONESTAS, NA LUTA POR UMA URGENTE DISTRIBUIÇÃO DA RENDA, E MAIS UM MONTE DE COISAS E faixas e adereços que são vistos em toda extensão da arquibancada DESSE PICADEIRO e por todo o Brasil.
Quem é Raça BRASILEIRA de verdade sabe que é preciso colocar a vaidade de lado e torcer com moral e vibração. Não existe fronteira, região ou subgrupos dentro da nossa torcida. Somos uma massa vermelha que carrega o amor ao BRASIL no peito e mantém o punho cerrado na luta pelo melhor do nosso clube. Não é a toa que, nestes 500 anos de existência, todos sabem quem somos e tudo o que podemos fazer. Cada um de nós é responsável pelo Maior Movimento de Torcidas do Brasil e, para isso, temos que manter a nossa Raça, cuidar da nossa torcida e fazer com que ela cresça ainda mais, representando a cada um de nós com lisura, transparência e muita disposição. Vamos fazer valer a nossa ideologia.
O momento agora é de reconstrução. Associe-se. Uniformize-se. Orgulhe-se.
Vem aí o Maior Movimento de Torcidas do Brasil.
BR101
Sou de todo azul infinito
Não há flores
e palavras
Gosto de você
Nenhuma núvem no céu. Nada
De todo azul infinito sou eu
cabelos que se embalam junto ao vento
de uma manhã insistente
bela. Não há flores
Méus pés são verdes e correm
em busca do paraíso ou d'uma carona no caminhão dele
Beleza que não se esgota
caráter infinito aos olhos
Gosto de você, menina
Sem começo nem fim
Sem chão ou teto
sem dimensão
sem maldade aparente
sem parte de baixo, ou de dentro
Nenhuma nuvem no céu
que se possa tomar como defeito
Nenhuma flor, nada
que se possa considerar o batom da moça que já é bela
Sim, gosto de você
A partir daí, não sei mais quem sou
além de todo azul infinito
Não sei mas quem sou
além de mim, não sou mais ninguém
Não ser nada é tornar-se tudo somente para si.

A dor de não ser grande em nada, te faz pequeno. Sendo pequeno, torna-te um grande nada. Ser um grande nada é não ser grande em nada. Não ser grande em nada é ser pequeno em tudo. Ser pequeno em tudo é não ter voz.
demolição

A sobra do amor
'Amor tem alma?'Perguntou. 'O amor é toda alma' Respondeu.
E agora, perante essa constatação, o que fazer com a alma de um amor abortado pairando no ar, pesado como um ponto-vírgula, insolente como um sinal vermelho e interrompido como a morte?
O que fazer quando o amor não se esgotou e sobra ainda em alma arrastada cobrando vida até a última gota?
ÚTERO
O homem
O psicólogo
CENA I
O homem - Não procurei o senhor antes porque acho que não pode ajudar-me. Em todo caso, o faço agora, já que não posso furtar-me de mais essa tentativa.
O psicólogo - Acha que não posso ajudá-lo?
Gostaria de ir direto ao motivo que me traz aqui: quero retornar ao útero quente e acolhedor de minha mãe.
Precisamos descobrir juntos porque o senhor deseja tanto esse retorno.
Não quero descobrir! Preciso partir, e logo! Pode ajudar-me?
Senhor...
Pode ou não pode ajudar-me na viagem?
Creio que não, mas...
Então preciso ir. Desculpe-me, mas não devo e nem posso continuar essa conversa com o senhor. Sou um homem obstinado.
Permita-me uma última pergunta.
Por favor...
A sua digníssima mãe encontra-se ainda entre nós?
Não. Morreu na ocasião do meu parto.
Hum...
E então?
Nada... O Senhor não estava de saída? (Pausa muito longa) Pode sentar, se quiser.
No seu colo?
Por favor... (o homem senta) Pode chorar se quiser.
(levantando bruscamente) O senhor não vai zombar de mim!
Essa não é minha intenção, quero apenas que faça o que tem vontade (Pausa. O homem beija o psicólogo. Pausa) Em que momento começou a desejar isso?
No momento em que nasci.
Não nos conhecíamos na ocasião.
Eu já premeditava.
Que nos conheceríamos?
Não. Que o senhor não poderia ajudar-me.
Não posso suprir sua carência, porém...
Basta! Preciso seguir viagem.
Nos veremos novamente?
Por que não?
Pela viagem.
Sabe que ela não acontecerá.
Sim sei. Imaginava que...
Que eu não o soubesse.
(longa pausa)
Se o sabe porque não desiste?
Como posso desistir da única coisa que me toma? Não seria acovardar-me?
Sim. Mas, se no seu íntimo, sabe que não conseguirá...
Não! É justamente meu íntimo que diz que eu posso conseguir.
Então prepare a sua viagem, estude as estratégias, busque um caminho, faça aliados e, nunca, desanime.
O senhor não consegue enxergar. Eu já imaginava.
Enxergar o quê? Que voltar ao útero já é desanimar?
Isso! Como adivinhou?
Não adivinhei. Simplesmente não era dessa viagem que me referia, mas se prefere essa posição...
Não prefiro essa posição. É como um vício. Já faz parte de mim.
O tempo do senhor acabou.
Será que me esvazio? Sim, por que absorvo tanto...
Queira retirar-se.
É a dureza do mundo que mais me perturba.
O senhor é duro com todos que o cercam. Ainda quer colo?
Não consegue ver isso como defesa?
Não. Temperamento. Saia por favor.
Sente medo de mim.
Por que o faria?
Pela vontade de cuidar-me. Quantos anos tem?
Preciso que saia, senhor.
Cinquenta talvez... Não quis ter filhos?
Não deseja agora que eu seja seu pai, não é? Até por que o senhor já está de saída.
Minha mãe. Preciso de uma mãe e seu útero antes de completar trinta e cinco anos.
Saia agora, senhor!
(o homem sai de cabeça baixa)
CENA II
O psicólogo - Como passou a semana?
O homem - Belo colete.
Imagino que buscando meios...
Sempre!
Para quê?
Como pra quê? Olha, eu não sei por que ainda volto aqui...
Também me pergunto, já que acha que não posso ajudá-lo
Disso tenho certeza. Acho que volto por...
Carência?
Acho que volto por...
Falta de escolha?
Acho que volto para olhar essa sua cara de...
De...
De entendido das coisas...
Sei...
É engraçado ver tanta segurança que vai se esvaindo aos poucos dependendo do que eu disser.
Desculpe-me, mas engraçado pra mim é...
O que é engraçado pra você?
A maneira como você muda o foco para mim, a maneira como insiste em avaliar-me. Sente medo de mergulhar em suas questões. Diverte-se as minhas custas. Sabe quem ganha com isso?
Acho interessante sua existência, meu caro....
EU ganho com isso. Sabe quanto?
... a maneira tranquila como leva a vida, sentado aí nessa cadeira.
Sim VOCÊ sabe o quanto...
Quero tornar um pouco lúdica a sua existência.
Façamos isso com a sua vida. Para isso estamos aqui.
A minha vida está por um fio, meu senhor. Quase já não existe mais a olhos nus.
Há sempre uma esperança.
Suponho que esteja enganado.
Não suponha. Certifique-se.
As suas ordens não mudarão em nada o destino de nossas conversas.
A sua má vontade não mudará em nada o seu destino.
Que destino? Já falei que estou por um fio.
Então volta a essa questão? Quer conversar sobre isso? Aprofundar-se nas razões dessa hipótese?
Não. Preciso ir.
Sente-se. Seu tempo está só começando.
As suas ordens não mudarão em nada...
Isso veremos! Quero que traga-me, na próxima sessão, a sua mala.
Que mala?
Ora, que mala?! Não pode viajar sem uma mala... Ou já mudou de idéia?
Nunca!
Pois quero que faça a sua mala. Não esqueça-se de nada, pense em cada detalhe. Mas seja prático e eficiente. Acredito que fará um bom trabalho. Agora pode ir.
Sei que está fazendo o meu jogo.
Então está jogando?
Conheço as suas estratégias. Sei dos seus meios.
(retórica) Pois então?
Gosto da sua disponibilidade.
Pode se retirar, senhor.
Gostaria de ir comigo?
(não entendendo) Como?
Gostaria de seguir viagem?
(retórica) Me tornaria seu irmão?
Não. Eu não pretendo nascer. Os títulos da árvore genealógica nos são dados como os nomes, exatamente depois que nascemos. Antes disso, somos apenas hipótese, podemos até morrer: assassinados, suicidados ou por susto. Antes de nascer, somos só sementes. Adoro sementes!
Quer que eu seja semente com você? O que mais quer que eu faça com você?
A minha mala.
Não! Senhor, o seu tempo acabou. Aguardo-o na próxima semana de mala pronta.
Vai comigo?
Depende...
...
Do que estiver na mala.
(O homem sai de cabeça baixa)
CENA III
O psicólogo - Como passou a semana?
O homem - Pensava no destino.
No destino? Aquele que você não possui?
Não, no destino de minha viagem.
E...
Lembrei do mapa.
Mapa?
Sim, preciso de um mapa para seguir viagem...
(retórica) E espera encontrá-lo aqui?
Não espero nada do senhor. Nem ao menos deste lugar.
Lembro-me que, a princípio, pediu-me que fosse tua mãe. De outra vez pediu-me que fosse seu companheiro de jornada e agora dize-me que...
Magoa-se?
Me fale do mapa.
É a única coisa que importa . O único elemento da mala.
Não pensou numa lanterna?
Uma luz artificial?
Já supôs que a jornada pode ser mais interessante que o destino final?
Ora! Não me venha novamente com essas frases feitas, por favor.
Irrita-se com a hipótese?
Irrito-me com essa insistência para que eu respire. (pausa) O que iluminaria, se levasse comigo ou conosco, quem sabe, uma lanterna?
O que há de mais importante: O mapa. E o que consta no mapa: o destino.
Vejo agora, meu caro, que não pode sequer alcançar meus meios. Prefiro fazer sozinho minha viagem. Até breve!
Sente-se!
Não entende que o mapa é a própria luz, senhor?
É o que busca aqui?
Não.
O que busca aqui, senhor?
Preciso ir...
O que busca aqui, senhor?
E o senhor, o que busca em mim?
...
Nada... o senhor não busca nada em mim...
Quero apenas ajudar-te!
Como, se nem ao menos acredita em mim?
(pausa)
Não pensou que pudesse sentir sede?
Sim. Diga-me: se eu levasse água o que isso significaria para o senhor?
E fome? Não pensou na hipótese de sentir fome, senhor?
Queria então que eu preparasse um sanduíche? Para a viagem?
Não. Mas sei que preparou alguma coisa para a chegada, não?
...
Ou será que o destino final não é tão importante assim?
É o que tem de mais importante, senhor.
Então que preparasse algo para a chegada, que cuidasse dos meios pra se fazer a viagem e principalmente que me trouxesse o mapa. Desculpe-me, mas não posso seguir viagem com o senhor. Não com esses meios.
Era o que eu imaginava.
Por hoje é só, senhor.
(o homem sai de cabeça baixa)
CENA IV
O psicólogo - Trouxe a mala então?
O homem - Sim
Gostaria de abrí-la então?
Não
Por que não, senhor? Vejamos o que tem aí.
Trouxe muita coisa senhor, e tudo duplicado, caso queira seguir viagem comigo.
Sei... E por que não podemos ver os objetos?
Porque preciso falar-te antes de mais nada.
Prossiga...
Penso na questão do equilíbrio...
Sente-se em desequilíbrio?
Preciso encontrá-lo para partir.
Como, diante todo esse vazamento d'água?
Não admito esse tipo de julgamento, até por que contive tudo o que vazava.
Convenhamos que há um vazamento de forças ao menos.
O que significa forças para você?
As perguntas. Aqui quem as faz sou eu! O que significa esse vazamento de forças?
Sinto pena de você.
Significa a falta de equilíbrio, pois sim?
Não
O equilíbrio que falta para a viagem, pois não?
Continuo na questão da pena...
Pois desapegue-se. Quando, por toda sua existência, sentiu um completo equilíbrio? Um equilíbrio integral.
Prefiro não dizer
Claro, já imaginava, sempre dificultando as coisas. Nasceu para isso.
Está jogando
Está entrando
Onde?
No jogo
Está errado.
Prove!
Foi aqui...
Onde?
Aqui. O equilíbrio. Foi aqui
Agora entendo por que ainda retorna a este lugar
Não retorno pelo lugar. Retorno pelo meu companheiro de viagem. Amo-te.
Não vá
Amo-te como amo minha vó que não conheci
Pois não vá!
Amo-te integralmente. Corpo inteiro e são. Demasiadamente atento. Desequilibro-me por ti.
Repudia-me! (pausa) Não vá.
Sou obstinado.
Pois não acredito.
Deve ter seus motivos...
Sim, os tenho. Sei que hoje, logo de manhã, no seu quarto de dormir...
Não te dou esse direito!
... no episódio da mala, pensou nessa ânsia de se parar...
Fiz a mala ontem a noite.
Que seja! Pensou nessa ânsia de se parar no meio. Estou errado?
Está errado quando julga-se capaz de saber coisas que estão além do entendimento dos mortais.
Sempre pára no meio. Estou errado? A coisa inacabada satisfaz a sua preguiça.
A minha obstinação não abarca essa triste preguiça a qual se refere.
Triste?
Sim, triste.
Então ela é triste?
Vou embora.
Então ela existe!
Não diga mais nada, é inútil.
Ela existe e é triste, é esse o caráter dela
Chega. Preciso ir antes que comece eu a repudiar-te.
Não vamos abrir a mala?
Vou embora.
(provocante) E então, no episódio da mala, enquanto guardava coisas pouco importantes, pensou que a coisa inacabada causa a maldita frustração de não terminar o que se propôs a fazer.
Essa ingenuidade o cega.
Não se preocupe, eu tenho as minhas lanternas. (quebra) Já pensou que desistir antes do fim é a mais consciente das obstinações? A - bor - to!
Explique-se.
Quando se tem a consciência de estar seguindo o caminho errado, a obstinação pode voltar-se para a mudança. A obstinação pode abarcar toda a desistência.
(saindo) Preciso ir.
Nem ao menos sabe onde usar sua determinação! Definitivamente, sou eu quem sente pena de ti!
(o homem sai deixando a mala)
CENA V
(mala aberta e seus símbolos)
O psicólogo - Gosto da maçã. Simboliza o alimento. Sem fome viaja-se melhor.
O homem - A minha maçã nunca simbolizaria o alimento.
O pecado então.
Julga-me clichê?
Pense num poema. Sabe que um poeta não escreve pretendendo o entendimento do leitor? Permita-me que interprete seus objetos metafóricos da maneira que melhor me convier.
Mas a mala é minha.
Não seja infantil, a mala é do mundo.
Ok, então. Os sentidos...
A maçã?
Não é dela que estamos falando?
Quais deles?
O olfato e principalmente a visão.
E o paladar?
Não pretendia alimentar-me dela na viagem
Não devia seguir viagem, tenho cada vez mais certeza disso...
Isso não me causa estranhamento.
... não viveu o suficiente a ponto de sentir paladares sem precisar alimentar-se deles.
Ora, se é justamente o que busco na jornada...
Gosto também percevejo.
Novamente o olfato. Minha máscara dificulta-me esse sentido. Preciso aguçá-lo.
De maneira desagradável, não?
Não julgo o sabor pecevejo, nem ao menos seu cheiro.
Gosta da neutralidade?
Odeio a neutralidade. Busco esvaziar-me somente para completar-me.
E o microscópio?
A visão a olhos nus tem banalizado o todo, o mundano. Desejo ver além baixo das micro partículas.
Algo para o tato?
O fogo.
Nada mais agradável para te aguçar o tato?
Sou masoquista.
Pense no fogo para o sentido da visão, pois é o mais belo dos elementos.
Pelo amor de Deus, Homem! No episódio do fogo estarei com os olhos vendados.
Desculpe-me. Não imaginava. Claro, falta-lhe coragem. Como não pensei nisso antes?
Sim, falta-me. Preciso queimar-me sem que os olhos vejam a dor que queima e muito menos a dor do iniciar a queimar-se. Olhos julgam, sentem, respiram. Preciso não viver para então mergulhar no calor vermelho e coral das chamas.
E o batom?
Caso encontre a mulher que nunca procurei. É um presente.
Sua mãe?
Não havia pensado em grau de parentesco. Pode ser uma mãe, sim. Mas não a do útero, não a do destino final.
Posso ficar com ele?
(não entendendo) Como?
Com o batom.
Por favor.
E se a encontrar? Presentearia a mulher com a maçã?
Depende.
Do que?
Se eu tivesse o ímpeto de escrever-lhe uma poesia, daria a ela o mundo e a maçã. Mas se não tivesse...
A maçã apodreceria na mala?
Pois sim.
Não entrega sua alma a qualquer um, pois não?
Nenhum de nós.
A mulher que não te inspira poesia sentiria o fedor de podre então...
Obviamente. Se alguém te entrega tudo, mas não sua alma, você não sente esse cheiro de incompletude?
Sim. Decidimos então se ali ficamos.
Caberia a ela escolher, ou ao olfato dela. Ou ao amor dela.
Amor?
O amor nos faz sentir cheiro bom no lixo podre, senhor, e assim vamos nos enganando a cada primavera.
Quer falar sobre isso? Sentiu algum dia cheiro de flores no lixo podre, Senhor.?
Não...
Nunca?
Não quero falar sobre isso.
Há um programa na mala... Um espetáculo teatral.
Ali está contido todo o sentido, todos os sentidos.
Que peça é?
Isso não importa, poderia ser uma máscara que representasse o sentido teatral, poderia ser o busto de Dionísio, quem sabe uma pintura de Téspis amassando uvas no mármore... Qualquer coisa...
O programa é só um símbolo?
O teatro é o símbolo.
Me fale dos sentidos.
O que quer que eu diga, senhor? Simplesmente pense em alguma manifestação teatral que tenha presenciado e sinta.
O que quer que eu sinta?
Malditas perguntas! Tanta racionalidade mata a vivência, Diabos!
O seu tempo acabou, senhor.
Não era importante, pois não?
(reticente) O quê?
Que eu falasse sobre os sentidos, os sentidos do teatro.
Fui eu quem perguntou. Quem se negou a responder foi o senhor. Preferiu julgar-me. Agora quero que saia.
São mais de dez sentidos, senhor.
Dez?
Para cada um deles, levaríamos uma eternidade em discussão.
Tentarei sentí-los então. Retíre-se.
É para isso que eles servem.
Vá, senhor.
Por favor não esqueça-se do mais importante de todos.
A visão?
Não.
A audição?
Não senhor. O paladar.
Gosta de confundir-me...
Saboreie cada vivência, delicie-se delas na vida.
Por que não leva a SUA vida assim? (pausa) Siga com essa pergunta. Até o próximo encontro.
Eu não volto mais aqui.
Sei que volta.
A minha viagem já começou.
Não acredito nisso. Espero pelo senhor.
Não faz mais sentido a nossa vivência. Não há um conflito, um tema, um feito, uma ação. Não há começo e nem fim.
Isso não é uma peça de teatro, senhor. Não estamos em cena e nem somos platéia.
Óbvio que não. O senhor nada sente, não sabe o gosto do tato, não vê o paladar, não saboreia a audição. O senhor não vê, não arrepia-se. Não sabe ao menos quais são os outros sentidos. O senhor não sabe amar. O senhor não sensibiliza-se nem esfria-se. O senhor não equilibra-se. Não distribui a energia nem infla-se dela. O senhor não tem quereres, não mata, não trai, não chora, não vive, não acalenta. O senhor não dorme e nem acorda. Não prende e nem solta o ar. Não entende a relatividade nem ao menos a gravidade. Pela sua janela não entra a luz do luar, senhor. Não é homem nem mulher, nem bicho nem ameba. O senhor já chupou manga? Os seus olhos não captam tudo o que tocam, eu bem sei. E os impulsos? Nenhum!
Acalme-se. Nós dois sabemos que fala de si mesmo. Só seguirá viagem por que não tem mais vida.
Poderíamos falar de cada uma dessas coisas, mas me falta tempo e dinheiro, ele que fede.
Como a maçã?
Não! Seu fedor é de completude. Vivemos em busca dele, a procura dele. Os ovos da páscoa que nos completam e trazem a felicidade.
Existe um lugar, senhor...
Sim, no núcleo da terra. Lá as pessoas buscam a felicidade dentro de si mesmas. Não sabem o que é dinheiro e portanto sequer imaginam que aqui na superfície, ele é a razão da nossa existência.
Existe um lugar, senhor...
Sim, o campo. Lá as pessoas plantam e consomem o que o solo dá. Elas sabem, por instinto, que isso é certo. Mesmo que, um dia, um maldito homem que criou um maldito sistema com sua maldita racionalidade tenha dito: “ Está proibido por lei comer mandioca!”. As pessoas nunca deixarão de comer mandioca, Senhor. O fogo nos foi dado pela natureza.
Existe um tempo...
Sim! A antiguidade clássica. Lá, nesse passado que ainda corre em nossas veias, as pessoas sabiam, também por instinto natural, que pertenciam a ninguém. Seres substância. Mesmo que um dia, um religioso tenha dito: “Em nome de Deus, seremos monogâmicos”. As pessoas gostaram disso, esperam isso da humanidade. Mas estatísticas provam o contrário. O instinto prova o contrário.
Existe um lugar...
Sim! O fundo do mar. É pra lá que eu vou. Acendo hoje uma vela para São Jorge, o soldado romano; ele que absorveu o dragão com a visão; ele que, canibal, comeu coração e asas do dragão; ele que, só ele, ouviu cada urro de dor e medo que nascia do estômago do animal vindo até a boca; ele que sentiu a quentura, que cega e arrepia, do fogo do dragão; ele que, antes de tudo, amolou a ponta da lança numa preparação eterna de quem vai sem pensar na volta. Acendo hoje uma vela pra são Jorge e, sem esperar que ela queime o mundo num incêndio, mergulho e fim.
(O homem sai de cabeça)
Qualquer um pode amar, mas só os hipócritas vivem felizes para sempre
(Brutalidade de amar. Sempre. vida de Grandes amores. Inspiração. Coração que ama mais que os outros. Rins que param de filtar o amor. Entope Dor maior. Bruta violência de vida que engalfinha desde que nasce até quando morre... de amar)
E fez-se a espera, que era dELA.
tade vontade vontade vontade vontade vontade vontade vontade vontade von
_________________________________________________
Arregala-te, máscara número um. Qual teu nome?
Várias em ti. falsas. Numerosas. Eu.
Olhava no espelho aquela que eles viam*
e se perdia no infinito de seres mortos.
Intervalo nascimento-morte, mar de máscaras até que sucumbas.
desinventania
_________________________________________________________
Julho e lucidez
eu te amo, amor, te amo torto, te amo tanto
(continua)
ELE impunha sua desenfreada necessidade de fazer o que bem entendesse. Os planos, colocava-os nas cores que quisesse e chamava-os futuro. Ele impunha um ponto no passado como se nada mais existisse perante sua presença insistente. Como se os dois nascessem de novo e escorassem suas covardias até aprender andar novamente. Quanto amor fora de hora, quanta urgência! Felicidade transbordante que bate a porta, seu nome não é mais inocência. Chuvas que vêm sem avisar, inundam o peito e ainda cobram brotar. Jardim despreparado é o nome DELA
(continua)
Minhas horas mortas são suas. Esse meu ócio é todo seu. Você é o meu quanto cheio, meu quando. Pedaço de mim, parcela do que não pude ser, homem. Minha liberdade, parcela de arte. Minha força bruta. Minha lembrança, minha falta de memória. Minha parcela árvore, te fertilizo hoje e amanhã só paixão. Brutalidade de amar na mistura dos seres.
(continua)
Brutalidade de amar. Sempre. vida de Grandes amores. Inspiração. Coração que bate mais que os outros. E fez-se a espera. Quando não pôde mais tornou-se aberta, flor feminina. Quando não pôde mais, fez-se outra, a de antes. E fez-se a espera, que era dELA, até que, lúcida sobre a felicidade impossível, invisível, tornou-se flor e, sem moral nem pudor, desabrochou.
(de endi, sim, é o fim)
RODRIGO
_ Ele morreu.
A mulher sentiu uma espécie de ventania na barriga, dessas que derrubam as árvores mais vulneráveis, as mais fininhas, de cascas grossas-mentirinha.
_ É você mesmo?
_ Inacreditável! Quanto tempo faz...
_Tantos acontecimentos desde aquela infância de triângulo que era só nossa.
_É verdade. E ele, como está?
_ Ele morreu.
Trovoadas. A mulher-eu molhava-se em chuva de virar sombrinhas de bolinhas vermelhas ao contrário-parabólica. Infâncias, imagens, mamãe se afastando dos adultos pela fumaça-preconceito que subia, indo ficar com as crianças-descobertas-beijo na boca-doce-de-suspiro.
_E ele, como está?
_Ele morreu.
_Como pode?
Dor de vento arrancando desde as raízes até as folhas, amoras caindo fora de época. Cabeça girando ao avesso-indefinição. Dúvida se tinha sido amor. Perda da esperança de encontrá-lo ainda e dizer que tinha sido bom aquele carinho-cabelos e corpo na luz escura deitados à cama do lado-testemunha da vovó, que deixava porque tudo deixava, que dormia.
_Foi um acidente. Ele estava ainda com dezoito, quando os tios resolveram separar suas vidas-traídas, e de quebra descobriu, não-sei-como, sobre a adoção.
A chuva interna se agitava-convulsão. Sua morenice, pra mim morenice-de- encanto, era o que mais o incomodava-suspeita. Quanta mentira desnecessária!
_Quanta mentira desnecessária...
_Era o que eu pensava, sempre desde criança, quando nem logicamente pensava, já achava, sem comentar porque não sabia como começar.
_Era também o que eu pensava.
_Você sabia?
_ ...
_Eu sei, todos sabiam.
_Ele não sabia.
A chuva trazia a lembrança de papai nos contando e pedindo maior-segredo-do-mundo. Estória curiosa, família-mistério, triângulos traídos em quartetos, filhos adotivos-segredo, mentiras das cinematográficas, tema pronto-desfeito-de-medo pra menina que começava escrever metáforas na escola e fora dela. Brigas, afastamento. Como ele havia crescido? Que outros mistérios reservava por detrás da cicatriz que ia do peito até a barriga? Sim, tinha sido amor, agora ela, a mulher que sou, sabia, tinha certeza da dúvida.
_Aos dezoito sacou uma arma-automóvel e se atirou na primeira curva que encontrou. Tiro certo, morte errada.
_Lastimável!
_O primo era meu, e você surgiu mais linda, magra, mais apropriada do nome que era nosso, o mesmo.
-Éramos criança, eu não sabia dos seus sentimentos, nem dos dele.
Mentira. Quantas cartas de amor os tios quiseram me mostrar. Revelações-brincadeiras entre as cervejas geladas nos fins-de-semana. Nunca as li. Quanto amor-dos-inocentes-infantis deixei de dar. Rodrigo se calava, não gostava, eu gostava-não-gostando, ele calava e mergulhava na piscina e, na sua morenice, ia e vinha de canto ao outro no azul dos azulejos por debaixo d'água. Ele só emergia quando o assunto encerrava, eu... esperava. Como é que Machado, tempos depois descobri, conseguiu predestinar nossas traças?
_Nossa, quanta saudade me bateu agora...
_Quanta saudade!
_Preciso ir.
A mulher queria chover sozinha, no escuro.
_Preciso também.
_Desculpa, e você como está?
_Bem, casada, eu e as dietas. Agora sem ajuda da mamãe. Você, linda.
_Isso você criou.
_Ele criou.
_E você tomou pra si.
_Tudo dele eu tomava pra mim, as cartas, todas elas pra você, ele me mostrou. Eu as tomei pra mim. Se quiser, ainda as tenho.
_Que nada! Coisa de criança...
A mulher queria sim, mas não podia. As releituras doem mesmo que nunca tenham sido lidas.
_Abraço nos tios
_Outro, dos grandes.
Saíra dali, eu-a-mulher, chovendo-se inteira-metade e pensando em como o filme de ontem a fizera lembrar e sonhar, acordando cheia de mistérios no olhar e como, no caminho cotidiano, encontrara aquela de mesmo nome que o seu, que já não mais menina era, pra contar-lhe o ocorrido com Rodrigo, dono dos seus sonhos de criança, dono do seu sonho de ontem a noite pós filme. Noite. Sempre a noite. Lembranças. Mamãe e papai queriam sair-sozinhos-luz-do-luar com os pais do Rodrigo, ficamos com a vovó dele. E já tudo planejado nos deitamos lado a lado. Brincadeira de criança. Carícias que jamais me largaram a memória. Segredo dos urgentes, medo de alguém descobrir que havíamos perdido a virgindade do coração.
_Eu sei que você gosta de mim._ Rodrigo disse-me um dia na hora do recreio. Eu mesma não sabia. Acabava de descobrir, a mulher que chovia na chuva, que sim gostara de Rodrigo com o maior e mais inocente dos amores. O que ele havia se tornado naqueles oito anos que ainda viveu e nunca nos vemos? Desentendimento dos nossos pais. Afastamento físico, não de sentimentos. Afastamento cruel, dos que não se explicam. Saudade não declarada, nem questionada, nada, para agora, em meio ao cotidiano, encontrar um alguém de mesmo nome que andava por esse tempo no clube dos escoteiros, para avisar-lhe sobre a morte.
A mulher abriu um guarda-chuva que me fizesse sombrinha. Eu abri um guarda-chuva que cobrisse a mulher. Proteção. Só ela, sozinha e a sombrinha. Ninguém mais, no meio urbano do qual queria fugir-mas-paralizava, abrira um guarda-chuva. Ninguém. Será que não chovia? Pensou em esticar um dos braços para testar, mas desistiu.
_ Não se tira o cobertor de cima nem pra olhar se o bicho papão se foi, nem pra isso._ A voz de Rodrigo-menino soou no meu ouvido direito. A mulher, que era eu, tremeu de frio. Sim chovia, mesmo que ninguém na rua se protegesse.
_Mãe! É um pombo! Olha, um pombo morto... Olha mãe... do lado daquela mulher-de-guarda-chuva-de-bolinha! _ Era a voz de outro menino, dessa vez no ouvido esquerdo, um pouco acima do coração. Aquela mulher-de-guarda-chuva era eu. Só fiz olhar pra baixo, bem devagarzinho, e lá estava ele, morto. Acidente de carro. Conseguia reconhecer alguns órgãos, menos o coração já que não sabia como era o coração dos pombos. Viu o fígado, as tripas, o sangue. Viu as partes internas do pobre esmigalhado e pensou no porquê de tanto asco. As pessoas em volta olhavam curiosas e saíam de perto. Uma menininha, dessas que eu fui um dia, pôs a mãozinha na boca de vômito-espanto. A mulher pensou, eu e ela pensamos, que o pavor de ver um ser-vivo-morto era pela questão da morte ou pelo medo dela e ainda por ver a si, ali migalha do ser. Lutou contra o asco e olhou. Olhou cada detalhe do pombo morto, suas asas. Olhou. Lutou. Lutou assim como luta contra a cebola. Chora, mas chora com dignidade, sem desistir dela. Corta bem cada fatia, cada quadradinho. Gosta de fazer salada. E olhando o pombo pensou no choque, no abalo, no exato momento da queda. A chuva.
Continuou andando pelo cotidiano, a mulher que era normal, ela e seu guarda-chuva a procura do arco-íris. Como este não aparecera, decidiu pelas frutas, uma de cada cor. Comprou bananas, maçãs, um abacaxi somente - porque abacaxi não se compra muito pela acidez-suicídio que carrega consigo – laranjas, das doces – adorava laranjas – e limões. Sim comprara limões. Depois das frutas decidiu por livrar-se do guarda chuva, já que não tinha nem mãos pra carregar, nem asas pra voar, percebendo que realmente não chovia como já desconfiara antes, mas comigo não quis cometar já que somos a mesma pessoa e não tinha sentido ficar falando consigo mesma em meio ao cotidiano.
Assim que chegou em casa, nosso ninho, ninho de todas nós que existimos nela, a mulher separou as frutas que pediam geladeira, afim de que se retardasse o amadurecimento, das frutas que pediam fruteira, lugar que colocamos nossas parcelas imaturas, o que ainda temos de verde, de inocente. Pensou no que fazer para sentir-se útil ao mundo e, como nada viera-lhe a mente, abriu a janela e pôs-se a olhar os pombos entre uma tragada e outra do cigarro que restara apagado junto às cinzas no cinzeiro que tinha o peitoril da janela como seu lugar cativo desde que mudara-se e decidira que a solidão era sua melhor opção já que sua mente era populosa e poluída de assombros e arroubos. Música talvez, não, melhor o silencio. Sentiu o silêncio feliz dentro de si. O silencio feliz dos que têm vida a se viver, mesmo que não asas pra voar.
Um amor pra vender
OFF, a campanha
Um brinde à frieza das capitais
O que me resta é a embriaguês do pão com manteiga nos ponteiros do intervalo.
"Sou adepto a tudo que me ali-mente e que não me arranque os olhos" Ele suspirou aprisionado.
Um brinde a gravata bem arrumada
Um brinde ao esquecimento
Um brinde à fome
Ao enevoamento dela.
Brindemos ao sol que ainda brilha e nos queima a pele pelas verdinhas que nos rendem o buraco.
O que me resta é a embriaguês de ser apolítica, sobrenatural e anormal.
O que me resta é a embriaguês.
Um brinde ao poder gélido e fálico do dinheiro e do paralelo
Um brinde ao ON
Um brinde ao OFF
O que me resta é a embriaguês de fechar os olhos e esquecer o domínio dos satélites.
Um brinde ao exílio de 3 meses pelas verdinhas e o buraco no peito.
O que me resta é a embriaguês de ser um pedaço do mundo.
Um brinde ao armário de cozinha e àquele espaçozinho que me cabe entre a panela e a pressão.
Um brinde ao noticiário da televisão.
O que me resta é o botão e a embriaguês de um creme de não definhamento para área dos olhos e mãos.
_________________________________________________
Farrapos de amor
Quando pôs-se de casa pra fora, de mim pra rua, quando foi-se... levou consigo tudo de mais colorido que havia em mim e no quadro que haveria ainda de terminar a pintura. Quando foi-se, pedaços, farrapos de amor, levou consigo a inspiração enevoada de arco-íris pra deixar aquela de reconhecimento, de cortinas abertas, de definidos sentimentos.
Hoje sento-me aqui e espero. Quando a campainha tocar, e ele entrar, quando o café sair e o cigarro apagar, quando eu dormir e ele acordar... Ah... quando seu gosto se fizer tão próximo e quase vivo de mim, de nós, no momento que me amoleço de rir, no que me sinto fraca ou quase sem a força de respostas inteiras ou fatiadas para perguntas ressacadas, é nesse quando doído que eu refaço cada adeus até não mais conseguir me despedir. As palavras, elas são em francês, saem da boca e arrepiam cada um dos ouvidos que, de tanto ouvirem zunidos agudos, fazem-se surdos.
_________________________________________________________
Oh, Capitu, quantas sombras em mim! Quantas marcas de ti, meu amor de perdição! Refaço tuas tranças sempre que o calor se faz de madrugada e amo teu corpo, tua coxa, tua voz... Refaço-te ainda a cada nova poesia.
Com amor, Bentinho
Ser-te cachoeira
_________________________________________________________
_________________________________________________________
De que babaca tem a vida atribulada, ah disso ninguém tem dúvida, principalmente o próprio babaca que, dentre lágrimas e tapas na cara vai enfrentando as malditas vicissitudes da vida, as linhas tortas daquele que escreve o mundo sem caneta, nem papel... imagina blog.
Existem uns babacas mais sortudos, que conseguem ver poesia na formiga que passa carregando nas costas o peso do mundo e andam na rua rindo ou chorando tapando o buraquinho do cigarro defeituoso, porque desgraça pra babaca é pouco, e fazem um filme dessa existência purgatória, cegos para o mundo superior, mas com a fé de quem jamais desacredita e busca força na própria força cansada e desgastada dos cabelos arrebentados. Pois é, babaca come rúcula pensando em chocolate.
Babaca sortudo é aquele que, na falta do perfume, banha-se em pétalas de rosas, é aquele que bebe da própria lágrima e faz do seu corpo a fonte da vida. Babaca sortudo é aquele que, sem sorte, acredita no azar como força renovadora, acredita no azar como um meio de ganhar humildade. Grande merda, babaca!
Babaca que é babaca não distingue o que é lucrativo do que é puro prejuízo, ele vai fazendo por amor mesmo, daí se fode... mas ganha alma. Ele não entende de matemática, é burro mesmo, perde tempo lendo poesia, ouvindo Belchior, se alimentando de vento (e rúcula) e se perguntado quantas pauladas mais precisa ganhar para entender aquele maldito livro de filosofia de capa cor-da-pele.
Babaca que é babaca anda sem documento ou relógio, mas é pontualíssimo porque segue o ciclo da lua (mentira, é porque tem medo da rejeição do sistema, medo da gravidade não funcionar com ele e aí se perder de vez pelo espaço).
E concluindo a redação, que nada tem de narrativa, pouco tem de descritiva, nem tão pouco é dissertativa, digo que babaca tem tempo de sobra porque não aprendeu o que é tempo, não compreendeu o passado, sabe nada de futuro e só tem o presente, uma caixinha surpresa cheia de medos e martelos e pessoas e paixões e cachoeiras. Sua caixinha tem tanto, e é tão cheia que se esvazia, pra encher de novo.
Poeminha de fim de ano
é que às vezes vejo aquele mar fértil em peixes e vazio d'água salgada
é que ainda ouço as músicas daquela madrugada e sinto a luz apagada
é que às vezes eu ainda...
Quando o 'não mais' chegar eu vou te ligar e dizer que o nosso sol apagou-se em tempestade e já brilha em outro peito sem medo nem amarras
Nos cabelos, o doce do xampu atrai as borboletas, mas as moscas não se privam desse sabor
O ano finda, e aquele de planos perfeitos encerra-se melhor do que se esperava, um brinde àquela meia-noite que preferimos caminhar a mãos separadas
Impotente
O nome dela
No final do ensaio o nome dela é carona
Durante a carona coleciona pontos de referência móveis
Por que será?
É porque ela gosta de outdoors com feijão e balas valda...
É porque ela gosta das cores do arco-íris, mesmo tão cansada
E é porque ela gosta de teatro, que é tão móvel e tão ponto de... nada?
Não! o Teatro é todo... o ponto de referência.
* Para a Michelle que me dirigiu a alma em cena e o corpo na volta pra casa durante o processo de PERDOA-ME POR ME TRAÍRES. Que 2009 nos seja tão fértil ou mais.
Um mar inteiro
Tu é um mar inteiro
Um oceano!
Um pacífico, um atlântico!
Uma sereia... hipnose do cantar.
Um monstro marinho que urra no mar.
Salve Yemanjá!
* pro meu amigo e parceiro sempre Rodrigo Abreu
A.
O amor é o espelho de quem sente.
Lindo! Como o bicos das águias, é lindo... mas cresce na direção assassina de sí mesmo. Mata-te se não quebrado em desapego do belo, lá no alto inóspito da montanha.
É como soltar a fumaça nas cinzas e olhar que elas avermelham-se em brasa, crescem e te perturbam quanto ao lugar onde devem cair.
É como os santos que quebram-se na região da nuca quando jogados ao chão. E é pra debaixo dos tapetes que rolarão as cabeças em confusão.
É como os mais belos cristais, que são pontiagudos e donos da luz que te cega a visão.
É como a dor na fome que se perde ou nem se ganha
E te persegue no suor da mão e no não saber onde escondê-las em tremedeira
E, maldito invasor, se reflete na cor do vinho que se toma a meia noite daquele lugar onde a entrada nem era tão franca como se acredita, ou de qualquer outro lugar do céu ou inferno
É no movimento dos cabelos de quem monta no couro e agarra-se à crina, que ele está
É na tensa gargalhada em horas das que não existem, lá ele estará
No movimento de arrancar as botas a quatro mãos, ainda assim o encontrará
Enquanto (não se revela o tamanho da entrega) é o nome do tempo feliz que ainda se tem antes da solidão ou do abandono porque ele, que é espelho de quem sente, se alimenta da dúvida.
apaga a Luz
Te fechei na página errada
Data inadequada
Irreprimível medo de não dizer nada
Apaga a luz...
porque te amo a cada piscar de olhos
a cada gemido mal dado
a cada lágrima interna
a cada beijo abafado
Eu te amo no passado encerrado
no eterno inacabado
Um monólogo de amor
Não, não tenta entender... Eu também não sei o porquê de eu estar aqui, assim... de pijama e capacete, a uma hora dessas. Acho que foi a lua me trouxe... rs
Lita Sahun
do Amor, a deusa
Quando você achava que estava tudo bem, que conseguiria viver sem amar, sem amor, sem doar, sem sofrer... que não teria problemas maiores que os financeiros, que seguiria sua vida sem nunca precisar "discutir a relação" ou "conhecer a família da..." Sim, você. Foi você o sorteado da vez.
O prêmio? ELA. Ela, que é uma mistura de Eva e serpente e maçã, de Mme Bovary e álcool e veneno, de Julieta e segredo e sonífero e punhal. Ela, que te suga, te consome, te enebria, te vicia. Uma droga!
Ela chegou sem fazer nenhum alarde e te fez simplesmente um nada. Um nada no melhor sentido da palavra: um entregue, um "total disponível", um "sem escolha", um carente, um "alegre". Te fez medroso e corajoso. Te mostrou como se rega a rosa do jardim. Te fez babaca e piegas. Te ensinou a amar.
Começou amando. Simples assim. Ela te amou... Te olhava com quem admira, te comia como quem bem degusta. Ela amava sem questionar, sem duvidar, titubear. Ela amava sem jogar. Simplesmente amava, sem reservas ou pudores, sem conceitos ou preconceitos. Ela fazia tudo isso com encanto de sereia (das mais perigosas), de bailarina, de estrela perdida...de atriz... uma deusa!
E aí, você, que está ciente de todos os seus lamentáveis e insuportáveis defeitos, de todas as suas terríveis manias, da tua cara de mané quando sai às seis horas da manhã para ir ao escritório de contabilidade... Você se pergunta: Eu mereço tudo isso? Eu contribuí com algum bom feito pro mundo? Não! Você foi sorteado. Simples assim. E esteja ciente da sua sorte: Isso não acontece com qualquer um.
Ela não tem sexo nem idade. Ah não! É feita de amor... e espontaneidade. Mas atenção: Ela grita, chora, diz o que quer e coisas sem sentido (só pra você, jamais pra ela), magoa-se com facilidade, é impulsiva e... Conclusão: Ela te encanta.
E o cheiro dela? O cheiro dela é daqueles que te arrastam pela mão e te levam. Você? Vai.
Nessa viagem, ela te torna tão tua, ela te faz tão dela que agora você não tem mais saída, já está entregue, já depende do sorriso dela e do ar quente que ela deixa quando passa.
Mas um dia (um desses malditos, de céu cinza e mal humorado. Um dia de trevas), ela some, vira mito (algumas delas nem bilhete deixam). Exatamente, meu caro, Afrodite nem sempre pode ficar. Geralmente esse tipo de anjo está só de passagem. Elas têm a função de propagar o amor. Simples assim. Te ensinam a doar-se, a render-se, a entregar-se. Elas te ensinam a viver.
tum tum tum
_ Não sei.
_ Não sabe?
_ Não. Foi engano...
_ Engano?
_ Sim. Nada do que foi dito era real. Nada do que foi sentido, verdadeiro. miragem de Oásis. Simples impressão. Coisa que dá e passa. Ilusão
_ Mas você ficou mais de um ano nesse telefone.
_ Era engano. Eu me enganava e acreditava. Sorria e chorava. Um ciclo natural (ou sobre-).
_ Não era só uma ligação?
_ Só? Não. Não conheço o pouco. Cavo um poço, dos profundos, a cada nova ligação. Busco diamantes, uivo pra lua sempre que bate meia noite...
_ Devia parar de atender telefones. Pode ser perigoso.
_ Sim. tenho evitado.
_________________________________________________________
*
*
Um tempo que se esvai em chuvas de verão, ou em flores de primavera chorona... tempo que não volta assim tão fácil, volta difícil no filme do pensar, do olhar pra trás.
Cheiro de adolescência, já que a vida quis assim! "Você me sorriu, lá se foi minha coragem".
Ah... aquele maldito frio de figurino que apertou start num coração que explode de barulho e pow!
O que me sobra de paixão e inspiração, me falta de resto então.
Um gato que peludo descansa branco na minha cama anuncia o demais, o mais, o além e vai.
Feliz até demais, algo de se desconfiar, sigo de sapatilhas nas pontas de cuidado com a fera que dorme. Ela que berra e se lembrada, pow!
Mas que belezura aí pelo mundo... Quem acredita que partida? Carrega-se a fera, devora-se a si mesma... e sorri. Que beleza de mulher!
Mas que belezura aí pelo mundo... Quem acredita? Denuncia-se ao subir com essa frequenciazinha as escadas gastas de pedra e corrimão, sorrizão.
Rega as rosinhas do jardim, depois de arrancar, dedinhos, cada um daqueles espinhos que nascem escondidinhos sem fim, que vem e vem.
Um barquinho se aproxima antes que se possa fechar olhinhos de dormir. Hummm espreguiça-se menina e fim.
A fábula de um amor frustrado
ERA UM AMOR DE BOTÕES, DOS DE COMANDO
DESSES DE CONTROLE, DOS REMOTOS
ERA UM AMOR DE SATÉLITE, DOS ARTIFICIAIS, DOS COLOCADOS LÁ
ERA UM AMOR DE DIAMANTE, DOS OFERECIDOS, MAS RECUSADOS
ERA UM AMOR DE COLEIRINHA, DOS POODLES
DESSES DE MADAME, DAS MAIS MIMADAS
ERA UM AMOR QUE NÃO ERA, DOS QUE NÃO AMAM, MAS CARREGAM SEMPRE UMA PLAQUINHA PESADA COM O AVISO:
Reflexões
Poesia suja!
O meu ensaio sobre
_________________________________________________________
"Coragem não é exatamente uma qualidade. É apenas um antônimo para covardia. E só uma coisa que te faz abrir a porta e sair pra rua. Sem frescura" (FERNANDA D'UMBRA-linda que só ela).
PORÉM minha amiga não menos corajosa PATTY DIPHUSA tem me procurado e, por incrível que pareça, até ela tem suas recaídas (entre um sexozinho gostoso e outro mais ou menos). Me contou uma delas entre uma dose de Whisky e um copo de ABSINTO e, como o domingo está CHUVOSO, vou relatá-la AQUI:
Aquela foi a nossa última viagem. Compramos um par de botinas cada (Madonna usa umas assim no seu livro SEX: está próxima a uma janela com a luz difusa esvaecendo todas as rugas da cara, apenas os pés cobertos, e mesmo assim, só até os tornozelos.)
A compra dessas botinas foi o único ponto pacífico entre meu namorado e eu durante toda a viagem. Me emocionou lembrar disso, apesar de doloroso. Um dos sintomas que distingue o amor VERdadeiro do passageiro-e-FALso é que, no caso do amor verdadeiro, sentimos falta até dos maus momentos.
De todas as opções, escolho (SEDENTA como sou de novas experiências) a mais SENSATA, ou seja, TIRAR AS BOTINAS e fechar de supetão a torneira das recordações. Mas não basta a decisão, não é tão fácil ser sensata. Tento repentinamente tirar a botina, mas o couro está muito DURO e não consigo.
Apenas as calcei uma única vez, recém compradas em Nova York. De noite, no hotel, não consegui arrancá-las. Tive de pedir ajuda a ele. demorou, mas conseguiu. Que me perdoem as feministas mas os homens nem sempre são tão INÚTEIS. Agora, no entanto, ele não está comigo para ajudar, e, se não for ESPERTA, vou ter de dormir de bota. Talvez estivesse acontecendo a mesma coisa com a Madonna e a pobre estivesse na janela
(depois CONTINUA, tá?)
Batidinhas na porta
O BOM versus O BOMESMO no período de estiada típica de inverno
cArne e pApel
Ódio, quando não, perdão
Sou eu minha vó, meu pai, meu sobrinho
Sou eu o Libano e suas pedras, o Nordeste e seu chão
Sou eu estrelas de luz ou apagadas, sol em desalinho
Sou eu planos de futuro, rastros do hoje e antepassados de genética
Sou eu começo meio e fim
Carne e papel em mim
Sou o melhor da turma!
Amém!
Mudanças repentinas doídas e de renovação.
Qual será o caminho, a nova jornada?
Como Alice no país das maravilhas, tinha uma pedra renal no meio do caminho...
Nada de forçar situações, nunca mais!
Eu e só. O mundo me abre seus braços e, enquanto fecho as portas, cresço e apareço.
Livre e presa por um trago de cigarro.
Livre e presa pela vontade dos Deuses.
Livre e presa pelo destino traçado. Qual será? Que decisões andei tomando antes de encarnar?
Que planos andei traçando antes de nascer? Era com você?
Quais de-FEITOS superar? Quais tarefas cumprir?
Maldita viagem abençoada, missões... secretas até pra mim.
Livre arbítrio de cu é rola! Quero nadar na linha e cumprir o não-FEITO.
A arte já estava? Ou é coisa nova?
Alma gêmea? Nenhuma a vista, nem tão pouco a prazo. Tô pagando pra ver.
Família? Tarefinha difícil essa!
Um NÃO à desistência.
Vamos em frente que atrás vem um bando de malucos desorientados e perdidos.
Amém!
...
Visitas ao asilo ( parte I)
_ Minha filha! Achei que não viesse esse fim de semana!
_ Senti sua falta ( é só o que sinto desde que percebi que nunca tive importância para você. Isso foi aos cinco anos)
_ Sua visita é muito importante para mim (eu te amo)
_ É por isso que você não vem morar comigo? (Deixe-me dar-te o cuidado que você nunca me deu)
_ O brigada pelo cuidado, mas gosto daqui (lembro-me que te pedi que voltasse para casa logo depois da sua segunda separação. casamentos fracassados. todos. Você não quis)
_ Pai, tem um quarto pra você lá em casa. (eu te amo)
_ Não! (não quero ficar no seu controle nem ao menos servir de referência masculina a seus filhos sem pai)
_ Pai, lá você pode fazer o que quiser. Sem contar que os meninos ficariam tão felizes (velho orgulhoso!)
_ Não (não suporto a sua vida desregrada) Preciso entrar, já vão servir o almoço.
_ Lá você não teria hora pra almoçar
_ ... (Gosto de ter hora pra almoçar)
Em busca de
Sem liga não se tem o bolinho de aipim, ou seja, antes do TER, verbo capitalista, verbo que compra, verbo que enriquece e rege a cultura ocidental, é preciso SER, vebo que alimenta, que define. Começa aí uma longa jornada a procura do ente eu.
absurdo.do
_ Sr. Mauro!
Droguinha na veia. Booommm. Bom e ruim
O professor de história, lindo porém calvo (defeito de calvície), bom de papo. Náuseas, corre ao banheiro.
Medo de agulha?
Se tem uma coisa que eu gosto é o defeito das pessoas
_ Sr. Mauro, por favor! Algum de vocês chama-se Mauro?
Dor (defeito meu)
A enfermeira de blush rosado, sapato de salto, cabelo esticado e boca cintilante repete com a seringa, agulha brilhantando na mão: _ Sr. Mauro!
E o professor historiador interrompe o papo sobre a triste história do atendimento médico:
_ Esse aí fugiu... Você é atriz? (defeito?)
Passa a louca com o carrinho barulhento recheado de instrumentos de tortura.
Absurdo. teatro do. Prato cheio pra Ionesco
Andei pensando que...
O bom mesmo é se apaixonar a cada estação do ano
A cada madrugada
A cada ponto de ônibus
A cada boteco diferente, a cada tacada
O bom mesmo é se apaixonar
É esse poder que a Rita tem
de ler um livro diferente
toda vez e sempre
E quando se vai, deixa saudade,
nenhum tostão porque nem tem, saudade.
litinha
Às vezes quando a gente ganha, a gente perde.... e quando perde... ganha
Acordei, além de livre, pensando naquela troca de suores, lágrimas e orgasmos. Essa vida é muito doida e linda. A vida é um filme e o final feliz é a gente quem faz. Foi eterno o pouco que durou e o que a gente pode dizer pelo olhar... é que valeu. Bj, querido.
(Na vida e no amor, não temos garantias, JABOR) Que bom! Tá aí a magia!
_________________________________________________________
Eu, parasita
Camille Vendaval Vai ao Mercado, Na Niqueleira Vários Coraçõeszinhos De Papel Camurça

(silencio entre os dois.)
(beijam-se calorosamente)
Expulsos do Édem
Mas a culpa não foi da serpente nem da vaidade dela.
Eva é a incerteza em pessoa, e por isso, caiu
A serpente é vaidosa, e por isso, vil.
E agora? Banca?
Não. Já tem o que conseguiu
A Serpente é vaidosa, e por isso, vil.
Mas a culpa não foi da serpente nem da vaidade dela.
Pelo sabor da maçã, eva caiu
Tá frio
Piiiinto paredes, cooompro caranguejos...
Vovó resolveu voaaar.
Treco que pulsa!
Bola redonda de intensa explosão.
Va-por!
Telefone no meio da sessão (ou secção)
O pé tá frio, mas o telefone não pára.
Logo logo a coisa inverte
"Ela é necrófila"
O melhor da noite
Não, não era isso que eu queria dizer
vento de total existência
Acabo de chegar! Friiioo!
Nossa, quanto frio! Coisa que não basta é cachecol.
Friozinho de rinite. Se paro de puxar o ar, não dói mais e ainda ganho, inteiramente grátis, a morte. Que sorte!
Vai pra calçada! Por que você só anda no meio da rua?
hahahaha pra ter a sorte de ser atropelada hahahaha
Mas que frio! Que sorte a minha!
Ah se esse cachecol desse conta... Não vai dar.
Se fecha! Abra-se.
Mas, menina, ninguém precisa saber.
Então eu topo, (Já tinha topado antes.)
Quero ficar 3 dias sem falar...
Assim que eu encontrar... Mas tem de ser um que me cale. Vai calar!
Obrigada!
Ele _ Fui colher rosas
Ela _Vermelhas?
Ele _ Prefiro as cor-de-rosa, de vermelho dissolvido. Sabe?
Ela _ (É Ilusão) Sei. Que estranho, da nossa janela já não vejo a lua!
Ele _ (É Amor) São mais doces e mais perfumadas.
Ela _ (Amor de verdade é o cotidiano). Ahh Vamos à lua hoje? Lá paga-se meia.
Ele _ (Lua?) Hoje volto ao jardim, eu e Thoreau, para viver profundamente, desculpe.
Ela _ (Eu também iria) Claro. Vá! Abra-se! Outro dia, quem sabe.
Ele _ Quem sabe... Ouvi dizer: O futuro é lindo e certo
Ela_ (Descruzemos nossas linhas, então?) Lindo!
Ele _ (Façamos delas paralelas) Eu?
Ele _ (você, por que não?) O futuro
Ele _(Porque ninguém tinha pensado isso de mim antes) Ah! Claro... Então já vou. Colher. Não precisa me acompanhar até a porta.
Ela _ (e a lua, meu sol?) Adeus, querido
Ele _(adeus?) Você vai à lua?
Ela _ (Que lua? Não consigo ver nada) Sim.
Ele _ (Eu não te amo daquele jeito que você...) Então boa viagem!
Ela _ (Obrigada) Obrigada!
Camille
Febre
Pulsação
Mãos
Arrasta-se e dor
Cravam-se unhas e pés
O que tenho é meu, não vem de ti
Arranca-se de mim
Véu de branca violência
"Durmo nua todas as noites na ilusão de que está a meu lado, mas quando acordo já não é mais a mesma coisa" Camille Claudel
Amor
Que que eu faço com esse amor que me toma?
Que me adormece o corpo todo, me aguça os sentidos, me enche e me esvazia...
Que me açucara e mela...
Que me encurta, me a-cha-ta
Que me faz feiosa, careta e chorosa
Que que eu faço com esse amor que me arranca de mim e não traz de volta?
Que que faço com ele que não me deixa NADA ver?
E o doutor respondeu:
Mas isso não é amor!!!
Amor é o que você tem pela arte. Brando e eterno
Febre alta é o nome disso.
Abra bem os olhos que ela já já passa.
Voe alto que ela já já passa
Corra ao vento que ela passa
ah passa!
E a resposta do ator:
Usa no teatro esse amor, que ele pede.
Usa na poesia, nas artes plásticas que elas querem
Usa na arte esse ardor, essa dor. E sorria
Aí uma mãe respondeu:
Tenha um filho!
Resposta de padre
Joga fora esse amor!
Uma velha cética:
Ih... mas que exagero!
E a resposta do amor:
Sacuda Enlouqueça Arda Chupe
Sugue Fume Ligue Procure Derrube
Chore Cante Dance Engula Insista Acarinhe
Trepe Grite Vomite Arranhe Voe Bata Fantasie
Morda Corra Morra Transcenda Declare Idealize
Minta Desminta Transfigure Sofra Suje Limpe
Assopre Abafe Esquente Transfira Lambuze Acredite Duvide
Acenda Fortaleça Ampare Rasgue Ilumine Queime
Arraste Apague Aperte Mate Troque Penetre
Lamba Esconda Apareça Ensurdeça
Rasgue Intensifique Aprofunde
VIVA-me, eu que sou a sua essência
aqui lá ou em qualquer lugar
hoje sempre eternamente e já
PRISLITA
- !!!!!!!
- Um anjo, num sonho, me disse 'não se preocupe em escrever coisas belas, escreva suas putrefações e elas te renovarão'. E com essas palavras, me justifico.